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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Barack Obama e uma nova forma de fazer política

Por Aleksandar Mandic*

No dia 5 de novembro de 2008, às 11 e meia da manhã, Barack Obama teve certeza de que estava eleito. Pouco depois, seus seguidores no Twitter recebiam um histórico tweet de 20 palavras, em agradecimento. Naquele momento, cada seguidor havia acabado de receber um agradecimento pessoal e exclusivo – ainda que direcionado a todos – do presidente eleito. Por causa disso, a campanha de Obama acendeu em todos os marqueteiros do país a idéia de que a Internet será fundamental para a vitória de qualquer um. Hoje, em plena campanha para as eleições de 2010, eles estão por aí atualizando sites e postando informações em todas as redes sociais disponíveis, exatamente como fazem ao imprimir santinhos, folders e quaisquer outras peças publicitárias. Quero dizer: comunicação unidirecional.

Poucos entenderam que aquele post de Obama no Twitter era muito mais do que um agradecimento. Na verdade, aquele post mostrava que, mesmo depois de eleito, o novo presidente continuava em contato direto com os seus eleitores. A conexão continuava viva.

Até que a internet aparecesse, a única maneira que existia de entrar em contato com o eleitor era ir pessoalmente aonde ele estivesse – fosse sua casa, o sindicato, o clube, a associação de amigos do bairro ou a praça pública. Fora isso, não havia alternativa. Depois, ainda havia o rádio e a televisão, mas nesse caso a comunicação era de mão única. Da propaganda impressa, então, nem vale a pena falar – é texto e imagem sem vida.

O aparecimento da internet, no entanto, foi capaz de colocar o candidato e o seu eleitor face a face. Mas, muito mais importante do que isso, é que a internet nos aproxima e nos mantém unidos. Só que essa coisa de nos aproximar e nos manter unidos como comunidade funciona para o bem e para o mal. Então, candidato honesto, disposto a trabalhar e com um projeto de qualidade, consegue trabalhar dentro de sua comunidade na internet, consegue fazê-la crescer por meio das redes sociais e também consegue difundir suas idéias.

Essa parte é magnífica: você pode mandar seu plano de trabalho, seus santinhos, e tudo chega imediatamente, sem custo. Por outro lado, pode discutir suas idéias, debatê-las a qualquer momento, modificá-las com os aperfeiçoamentos que todos vão enviando, e desse modo o plano de trabalho deixa de ser exclusivamente seu, passa a ser da comunidade toda. Aí começa, então, a verdadeira democracia participativa, porque depois de eleito você tem de executar um plano que não é mais o seu. É o plano do seu eleitorado. É apenas para isso que você está sendo eleito.

Bom, o transcurso da campanha precisa ser feito de tal modo que a interação com os eleitores seja mantida plenamente viva. O candidato não pode mais abrir mão da comunicação com toda a base conectada a ele, sob pena de perder todos os que se conseguiu conquistar direta e indiretamente. Cada tweet, cada post, cada conexão se propaga em milissegundos e atinge pessoas que conhecemos. Leva a elas nossas opiniões, nossas opções, nossas preferências. E as nossas escolhas, sugestões e indicações, declaradas e assinadas, são capazes de influenciar o pensamento daqueles que estão em contato conosco, via internet, das mais diversas maneiras.

Ao final da campanha, ainda que não tenha sido eleito, um candidato contará com um patrimônio em conexões sociais muito maior do que possuía antes, e caberá a ele o trabalho de mantê-la. Mas se for eleito, é provável que a própria comunidade mantenha as conexões vivas, pelas mesmas razões que a de Obama no Twitter: é que ela finalmente elegeu um candidato, e finalmente vai poder monitorá-lo, falar com ele, cobrar o que não foi feito, modificar os planos. Numa palavra: participar.

Então, voltando ao post de Obama depois da vitória, o que está escrito ali, na verdade, não é o que está nas palavras. O que está escrito ali é o seguinte: “Você ajudou a eleger, você vai participar do governo. A conexão continua viva”.

* Aleksandar Mandic foi o criador, em 1990, do Mandic BBS e um dos pioneiros do mundo online brasileiro. Foi sócio-fundador do iG, criador do mandic:mail e hoje é candidato a deputador federal pelo estado de São Paulo. Promete uma campanha 100% digital: www.mandic.blog.br/home.php.

quarta-feira, 31 de março de 2010

PSICOACÚSTICA - Por Fernando Marques

Após minha estréia na revista, recebi inúmeros e-mails, portanto, fica aqui a minha gratidão a cada um deles, além do carinho das pessoas, fato no qual me deixou muito feliz e realizado. Diversas questões surgiram sobre o assunto, e com isso, sinto que realmente esse espaço será útil para esclarecer a linguagem do som para os leitores interessados no tema.
Conversando com as pessoas, independentemente da dúvida em relação ao universo do áudio, percebi em muitos casos a dificuldade de entender a realidade física do som, em relação à percepção que temos dele, já que o fenômeno físico se difere do que nosso cérebro percebe de fato, deste modo, abordarei nessa edição um assunto que chamamos de Psicoacústica. Essa ciência examina a percepção auditiva humana, em relação ao fenômeno acústico, como ele se difunde na fisiologia auditiva, e como se processa em nossa mente, interligado a nossa memória cultural, emocional e sensorial, criando diversas sensações a cada estímulo sonoro. Trata-se de um assunto vasto, curioso e intrigante. É fundamental o estudo da Psicoacústica na produção musical, para o melhor entendimento de como timbres, intervalos musicais, e texturas sonoras, podem influenciar no contorno emocional de uma música, e assim levar  intencionalmente o ouvinte as mais variadas sensações, tendo sempre em conta a variável de que, cada indivíduo possui concepções culturais e emocionais ligadas as suas experiências, que podem mudar a forma interpretativa sobre o que o mesmo ouve, por isso, uma música oriental que possui intervalos
sonoros com maior divisão do que o sistema ocidental no qual estamos familiarizados, e soa de forma estranha e muitas vezes incompreensível pela cultura ocidental.

A PROPAGAÇÃO FÍSICA DO SOM, O ASPECTO FISIOLÓGICO AUDITIVO, PSICO E CULTURAL.

Nossos ouvidos são verdadeiros transdutores, que transformam vibrações sonoras em impulsos nervosos levados a nosso cérebro, que por sua vez, decodifica as informações. Eles podem ser comparados a microfones omidirecionais, que captam em todas as direções, aliás, esses foram desenvolvidos com base na estrutura auricular.
A propagação sonora nada mais é que um processo físico de vibrações entre as moléculas, que causam compressão e descompressão no meio elástico em que ela se propaga, sua medida é o que chamamos de onda sonora, e é dada em Hertz, 1 Hertz significa que um ciclo dessa compressão e descompressão, é feita 1 vez por segundo, por sua vez, 440 HZ, são 440 vezes por segundo, e assim sucessivamente.
Sabemos que o ouvido humano, é capaz de perceber em média 10 oitavas, dos 20HZ até os 20.000 HZ (20kHZ), porém, isso é variável de acordo com cada indivíduo, com cada faixa etária, e com a perda auditiva, que possa ter sido provocada devido ao tempo excessivo a grandes pressões sonoras. Quando nascemos, somos capazes de ouvir todo o espectro, depois há uma perda gradual ao longo da vida, diminuindo a percepção dessa faixa sonora.
Abaixo dos 20 HZ denominamos infrasons e acima dos 20.000 HZ ultrasons. Todo som complexo que escutamos, ou seja, um som de um instrumento, por exemplo, possui nele, não somente uma onda sonora pura, porém, uma região delas, ou seja uma onda fundamental, e várias outras soando de forma secundária a partir da primeira vibração, isso explica, por exemplo, porque uma mesma nota tocada em um violão e em uma guitarra possuem um som diferente, já que a vibração da fundamental é a mesma, porém, a relação dos harmônicos ( vibrações secundárias ) são diferentes, e é o que denominamos de timbre.
Será que escutamos de forma linear a todo esse espectro? A resposta é não! Ouvimos com mais intensidade determinadas regiões do que outras, devido ao funcionamento fisiológico da nossa audição, e ao tamanho físico das ondas que incidem em nossos ouvidos, os graves (baixas freqüências) podem ter metros de tamanho, e a medida que a freqüência aumenta, o diâmetro da onda diminui, ondas agudas (altas freqüências) podem ter poucos centímetros, tudo isso, faz com que tenhamos necessidade de maior pressão sonora, nos graves e agudos extremos, já os médios, ouvimos com maior facilidade, e a medida que a pressão sonora aumenta, esse espectro tende a ficar cada vez mais linear aos nossos ouvidos.
Depois de todo o processo físico e fisiológico, nosso cérebro recebe as informações dos estímulos nervosos, e constrói uma imagem emocional, de forma conjunta á outras informações mentais. Ele acaba associando o impulso que recebeu a determinadas experiências e sensações, ligadas até mesmo com os outros sentidos, por isso, a interpretação sonora, não somente é algo relativo a audição, no final entra todo o conjunto sensorial, assim como o contexto cultural e psicológico armazenados ao longo do tempo em nossa memória. Tudo isso contribui de forma evidente nas reações emocionais que temos diante ao estímulo sonoro.

A APLICAÇÃO DA PSICOACÚSTICA NA PRODUÇÃO MUSICAL.

Por meio das informações anteriores, pudemos relacionar a Psicoacústica no universo da produção musical, quando uma canção é composta, os intervalos melódicos e construção harmônica, remetem a algum tipo de sensação, como por exemplo, na idade média, aonde o trítono, intervalo de quarta aumentada ou quinta diminuta, era chamado de “diabulos em musica”, porque possui uma sonoridade tensa, e era considerado pela igreja católica, como demoníaco, e quem tocasse era levado à fogueira. Quando manipulamos um trabalho de áudio, como uma mixagem, usamos diversas texturas sonoras, para remeter o ouvinte a determinados ambientes e climas, cada timbre usado e somados uns aos outros pode reagir de maneiras diferentes, e muitas vezes de forma subliminar. Há muitas coisas em uma mixagem que estão ocultas e conscientemente não são percebidas, contudo, se tirarmos com certeza muda toda a percepção da produção musical em si. Espero que tenha esclarecido muitas dúvidas de como percebemos uma estrutura sonora, ainda que tenha sido de forma superficial, mesmo porque a assunto é extremamente extenso.


Envie suas dúvidas e sugestões de temas para a coluna para os seguintes e-mails:

nandomarques76@hotmail.com
fernando@tudoaovivo.tv

Fernando Marques, 33, é profissional de áudio em estúdio e produtor, ministra cursos e palestras sobre áudio e produção musical, e estará lançando, em breve, seu site voltado a educação de áudio e produção ( www.audiobrazil.com.br ) . Além de ser um dos proprietários do Play Music Studio.(www.playmusicstudio.com.br ). Atualmente o seu estúdio é parceiro da Tudo ao Vivo (www.tudoaovivo.tv ),TV via web que instalou uma de suas bases de transmissão no local, tornando o estúdio também uma produtora de áudio e vídeo.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Roland Brasil lança Cakewalk Sonar 8 no País

Interessados poderão adquirir legalmente a mais recente edição do software de áudio nas versões Producer e Studio


A partir do dia 30 de abril, a Roland Brasil começa a disponibilizar o software Cakewalk Sonar 8 no País. Com esse lançamento, tanto os profissionais que trabalham com áudio quanto as pessoas que se interessam pela área poderão adquirir legalmente o novo programa. Entre as diversas vantagens em comprar nas revendas oficiais estão a garantia de um ano e o manual em português.Da mesma maneira que os antecessores, o Cakewalk Sonar 8 conta com todas as ferramentas necessárias para que os usuários consigam gravar, compor, editar, mixar e masterizar. As principais características do programa são o processamento em 64 bits e o áudio em 24-Bit/384 kHz, além do número ilimitado de tracks, MIDI e send.O Cakewalk Sonar 8 poderá sem encontrado em duas versões: Producer e Studio. A diferença entre elas é que a primeira conta com os softwares Dimension Pro, Guitar Rig LE, V-Vocal, True Piano e Rapture, totalizando 42 plug-ins de áudio e 14 instrumentos virtuais a mais.
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Miniatura de bandas